Passeio de fim-de-tarde

Eram pouco mais de quatro da tarde de inicio de Março e nossos corações ansiavam por uma injecção de adrenalina que só conseguimos aos comandos das nossas meninas..  Depois de cerca de meio segundo de pensamento, decidimos por sincronia de pensamento seguir em direcção a barragem de Crestuma/Lever. Caminho levou-no por AE até saída para Olival. Seguimos pela estrada só apoquentados pelas constantes luzes avermelhadas..Tal dava-nos desculpa para testar acelerações em primeira e segunda… Ao cortarmos para barragem, começam as curvas rápidas num piso excelente..que maravilha!! Sinto-me envolvido pela natureza em redor..respiro fundo o ar purificado pelas árvores…não podia estar melhor!!  Ao chegar à barragem deparamo-nos com uma paisagem fantástica que nos inunda os sentidos! A água serpenteando entre o relevo..Depois de passarmos a barragem decidimos parar para melhor apreciar a paisagem, na margem: as meninas   …e no rio: a barragem de crestuma / lever  Após esta paragem, um pequeno bichinho começou a corroer-nos, e só o vislumbre de uma “roulote” pode acalmar um pouco a fome. A nossa escolha, um belo cachorrinho:  o famoso cachorro Depois de consolado o corpo, a alma ansiava por mais curvas, e a encosta norte do Douro ofereceu a quantidade certa de curvas apertadas para nos pôr um sorriso na cara:  amizade  Já a chegar à capital do Norte..não resistimos ao apelo daquele céu e seguimos pela marginal: por do sol  Ao seguir em direcção a casa, não resisti a esboçar um sorriso, afinal andar de moto é mesmo isto, fazer sentirmo-nos vivos e em total harmonia com o asfalto, com a natureza..  -  Participantes no passeio: freddy_krueger e greenberet  -  Crónica e fotos: freddy_krueger 

Os meus Pensamentos do Dia

TRA-BA-LHO

Aquele que ao longo do dia é activo como uma abelha,

forte como um touro,

trabalha que nem um cavalo e que ao fim da tarde se sente cansado que nem um cão,deveria consultar um veterinário,porque é bem possível que seja burro. 

Esse asfalto eterno… as viagens de Inês e Paulo Mealha

Do Mediterrâneo ao Atlântico, pela França

Etapa 1

Porto - Béjar - Madrid - Zaragoza

A viagem até Béjar (Espanha) correu sem incidentes, onde ficámos uns dias a companhias de outros motociclistas.

Depois de por lá ficarmos alguns dias deixámos a companhia dos amigos da Honda e BMW e seguimos para Zaragoza, capital histórica do Reino de Aragão, construída nas margens do rio Ebro.

A distância percorrida foi de 627 Km, marcada por vento forte depois de Madrid. Para surpresa nossa o computador de bordo indicou um consumo de 4.6 litros aos 100, com uma velocidade média de 102.3 Km/h. Este valor era animador tanto mais que a gasolina 98 em Espanha é substancialmente mais barata do que em Portugal.

Vista do rio Ebro com a imponente catedral. Na outra margem encontramos El Tubo, um bairro típico enriquecido por comércio tradicional.

Recomendamos uma visita aos museus da cidade onde poderão encontrar obras do principio de Goya, Rambrandt e Renoir, entre outros. Absolutamente imperdível.

Parámos num dos muitos parques da cidade para descansar e observar um pouco as suas gentes. Ao fundo um casal de idosos deliciava-se com uma linda rapariga com não mais de cinco anos, que parecia ser a neta. Ficámos automaticamente com saudades da nossa Joaninha e foi inevitável o telefonema para Portugal.

Um casal de namorados passeava nestas ruas cheias de história, olhando distraidamente para as montras. São interrompidos por breves instantes por um apressado transeunte, possivelmente atrasado para o emprego, o que nos lembrou que estávamos de férias… e era bom não pensar no trabalho.

E antes de terminar o relato desta primeira etapa uma palavra para o Hotel onde ficámos alojados. Disponibilizou sem custo adicional garagem coberta para a GT, o que como sabem aqueles que já viajaram de mota, é um pormenor bastante importante.

AH Agora World Trade Center, 4 estrelas, garagem coberta, 58 Euros a diária sem pequeno almoço.

http://www.hotelclub.net/directhotel.asp?id=33515

A nossa viagem prosseguiu depois por Barcelona, Lloret de Mar, Toulousse, Lourdes e Bilbao…

2º Etapa

Zaragoza - Lloret de Mar

Um pouco antes do almoço deixámos para trás Zaragoza e, guiados pelo GPS, saímos da cidade em direcção a Barcelona.

Foi só o tempo de vestir a Cordura e largar os jeans, e fazer o check-out do hotel.

Era um dia bonito. Não se previam grandes complicações. No planeamento que fizemos semanas antes esta seria a etapa mais fácil, apenas 380 Km, mas fomos surpreendidos por rajadas de vento demasiados fortes mal entrámos na AP-2 (E-90).

Viam-se pequenos ramos a passar rente ao asfalto, de um lado para o outro, a mota era fustigada violentamente e foi aqui que descobri que tinha cometido dois erros:

Tinha saído de Zaragoza com pouca gasolina, apenas para 32 Km’s. Pedi ao Zumo para indicar-me o posto de abastecimento mais perto da minha posição actual, e quando o fiz o trajecto obrigava a sair da auto-estrada e circular cerca de 6 quilómetros pela nacional adjacente.

Fruto da minha inexperiência pensei que o vento abrandaria quando chegasse à nacional, mas ficou pior. Para complicar tudo os pesados que cruzavam-se provocavam na mota um efeito perigoso, empurrando-a violentamente para a direita ao passarem por nós.

O outro erro cometi-o no dia anterior da partida, quando optei pelo vidro da Cee Bailey’s em substituição do da BMW. O “pára-brisas” estava a fazer um perigoso efeito de “vela” na mota… foi uma experiência assustadora. Circulámos devagar só para descobrir que o posto de abastecimento que o Zumo nos tinha sugerido tinha fechado, regressámos à auto-estrada mesmo a tempo de abastecer na segunda sugestão do GPS, uma área de serviço que encontrava-se alguns quilómetros á frente do local onde tinhamos saído. O GPS teve também a sua quota-parte de culpa.

Ao parar e abastecer a Inês teve que agarrar firmemente a mota para evitar que esta tombasse. O vento era tanto que um condutor ao lado não conseguia abrir a porta do seu todo-o-terreno.

Ao passarmos pelo meridiano de Greenwich as condições climatéricas melhoraram e pudémos retomar a posição de condução normal das BMW’s. Só parámos em Barcelona!

Apenas um dia em Barcelona e ficamos diferentes. Não é só a cidade, as pessoas são mais livres, arejadas, espontâneas.

3ª Etapa

Barcelona - Lloret de Mar

De Barcelona a Lloret é um saltinho, mas os minutos pareciam horas tal a ânsia de chegar ao destino. Tínhamos deixado o inverno em Béjar e estávamos agora em pleno verão mediterrânico.

As ruas de Lloret fazem lembrar Albufeira, mas em ponto grande. O comércio é animado e podemos encontrar de tudo, para todos os preços e gostos. Os “chinos”, como em Espanha os chamam, invadiram as ruas e abordam animadamente os turistas para visitarem as suas lojas.

Não nos importávamos com as acções destes comerciantes. Por agora era altura de descansar.

A gastronomia local é rica e variada. Tínhamos direito a meia pensão no hotel, pequeno almoço e jantar buffet. Ao almoço tentámos conhecer melhor o que Espanha tem para oferecer, e fomos brindados com excelentes pratos e saudosas garrafas de Rioja tinto.

Também fizemos pequenos passeios de mota pela fantástica Costa Brava, lemos um pouco e disfrutámos da praia e temperaturas amenas de Lloret de Mar.

Ainda faltava a França, mas por agora era altura de parar e disfrutar a vida, o sol, e comer bem!

4ª Etapa

Lloret - As férias propriameme ditas

Em Lloret optámos pelo hotel Oasis Park, de 4 estrelas. Ficámos três noites o que nos custou 144 Euros, mais 36 Euros para o estacionamento (garagem fechada) da mota. Adicionado a este valor fizemos um depósito de 10 Euros para a chave da garagem, que foi devolvido no check-out, e pagámos cerca de 8 Euros por garrafa de vinho tinto, não digo o total… :)

Com meia-pensão escolhemos jantar no hotel para podermos passear de mota durante o dia e conhecermos melhor a zona.

É muito importante, numa viagem de moto, parar para descansar e ver o que nos rodeia com calma. Deixar as roupas de cordura e as botas no quarto, vestir uns calções, disfrutar da piscina, da praia, mas mais importante, dusfrutar da companhia. Infelizmente conheço pessoas que não cumpriram estas regras e só conseguiram destruir casamentos, ou amizades. Andar d emoto é bom, mas existe mais na vida além disto!

Curiosamente almoçámos duas vezes num restaurante mesmo em frente ao hotel, apesar de termos passeado bastante. As refeições em Lloret custam uma média de 10 Euros por pessoa, o que sinceramente parece-nos equilibrado com o que estamos acostumados a pagar.

Findo os três dias foi altura de voltar à estrada. Começou a chover mal cruzámos a fronteira. Vinha de todas as formas… Chuva miúda que não entrava para o interior da mota mas provocava uma nuvem à passagem dos carros. Também tivemos chuva grossa… outra que vinha de lado juntamente com o vento… oito horas deste tratamento.

Parámos para almoçar em Toulousse debaixo de um verdadeiro dilúvio e ao meio da tarde visitámos o santuário de Lourdes.

Lourdes não é maior do que Fátima, em termos do espaço do santuário, mas o comércio é muito mais variado.

Comprados os souvenirs para as avós, tias, senhora que limpa a nossa casa… e de tentar arranjar forma de levá-los na já completamente lotada GT… regressámos à estrada e à chuva.

Apesar da fraca visibilidade foi fantástico atravessar os Pirinéus, perto de San Sabastian a auto-estrada encontrava-se em obras o que não permitiu grande velocidade.

Ficámos hospedados no Barceló de Bilbao, categoria 4 estrelas, a mota ficou em garagem fechada e custou-nos 102 Euros, com pequeno almoço. Esta etapa teve um total de 816.4 quilómetros, com um consumo de 5.2 litros aos 100, a uma média de 87 Km/h.

Bilbao é uma cidade fantástica, adorámo-la, mas este relato fica para outra ocasião…

5ª Etapa

Bilbao - Vila Nova de Gaia

Bilbao, ou Bilbo em Basco, surpreendeu-nos pela positiva. Depois de oito horas debaixo de chuva, e de atravessar os Pirinéus, foi reconfortante chegar a esta bela cidade erguida nas margens do rio Nervión.

Chegámos ao inicio da noite, sem reserva prévia de hotel. Pedi ao Zumo para indicar-nos hotéis nas redondezas, mas as duas primeiras tentativas levaram-nos a instalações sem garagem fechada.

Como já tínhamos estado hospedados num hotel da rede Barceló, nas Caraíbas, e no lugar de procurarmos mais, decidimos então deixar que o GPS nos levasse directamente para esse ponto, apesar de estar a 11 Km da nossa posição actual e existirem muitas mais opções por perto.

Chegado ao hotel trataram-nos rapidamente do check-in bem como indicações de como chegar a um bom restaurante onde pudéssemos experimentar as iguarias locais. Tivemos uma excelente refeição e mais uma vez acompanhado de um tinto Rioja.

O quarto tinha Playstation, video-on-demand, banheira de hidro-massagem e um moderno duche que conseguia simular quase todo o tipo de chuva que tinhamos apanhado ao longo do dia… mas por muito tentador que fosse ficar mais um pouco, logo pela manhã apressámo-nos para visitar a cidade e o famoso museu Guggenheim.

Ver esta criação do famoso arquitecto Frank Gehry era um dos nossos objectivos. O edifício tem a capacidade de “tirar-nos o ar”. Na nossa opinião a estrutura exterior tem mais interesse do que as obras que esta guarda.

Para aumentar o número de visitantes o museu faz constantemente exposições de obras de outros grandes museus no mundo, por isso vale sempre a pena visitá-lo.

Depois foi o regresso, foi dada ordem ao Zumo para levar-nos directamente para casa. Por ironia do destino o dia estava lindo, o nosso último dia de viagem.

A última etapa foi de 748.5 Km, integrámos em Burgos uma caravana de motas espanholas, mas a partir de Salamanca fizemos a viagem sozinhos. O computador de bordo indicou um consumo de 5.2 litros aos 100, com uma média de 97.5 Km/h.

Chegados a casa a recompensa foi esta:

Equipamento utilizado:

BMW K 1200 GT de 2006
Garmin Zumo 500
Vidro Cee Bailey’s +6 +3 (nunca mais…)

João Paulo
Casaco BMW Rallye 2, calças Tourance
Botas BMW Allround
Luvas BMW Summer Rain
Capacete Schubert C2

Inês
Casaco e calças BMW Tourance
Botas BMW Sneaker 2
Luvas BMW Allround
Capacete BMW sportintegral

O equipamento portou-se bem com excepção das luvas Allround que perderam a impermeabilidade ao fim de quatro horas à chuva. Um par de capacetes Dainese ficaram em casa com receio da chuva danificar o sistema electrónico bluetooth, mas deveriam ter ido, sentimos a falta de conversar um com o outro.